Reza uma lenda de que os seres humanos são os únicos animais deste planeta que matam sem necessidade, sem ser para se alimentar ou para se defender. Na esmagadora maioria dos casos isto realmente é verdade, mas não podemos dizer que seja uma verdade absoluta, pois encontramos em outros animais uma inexplicável sede de morte e alguns casos macabros provam quem nem só os humanos podem ser cruéis e assassinos. No cinema já pudemos ver filmes baseados em histórias reais que também exemplificam isto, como em Tubarão (veja os ataques de tubarões de Nova Jersey, abaixo) e A Sombra e a Escuridão (Veja os devoradores de homens de Tsavo, abaixo).
Confira abaixo 5 dos mais famosos casos de animais assassinos em série:
O elefante errante de Aberdare
Elefantes são animais que vivem em bando, porém elefantes que vagam solitários não são raros. Este elefante em questão destruiu várias plantações, matou animais domésticos e também 3 homens (entretanto, apenas uma morte foi confirmada, as outras são apenas suspeitas) em vilarejos próximos à floresta de Aberdare, na África. Tudo isso ocorreu por volta de 1940, mas não existe uma data precisa. A primeira referência ao caso foi feita em um livro de 1952.
O comportamento deste elefante era errático e incomum. Ele simplesmente aparecia nos vilarejos ou tribos afastadas e começada a destruir tudo pela frente, sem motivo aparente. Ninguém conseguia prever onde seria o próximo ataque e tentar detê-lo era muito difícil. Outro problema encontrado pelos moradores era o fato do animal nunca atacar o mesmo local duas vezes, tornando sua captura extremamente complicada.
Pare tentar solucionar o problema foi chamado o lendário caçador de grandes animais selvagens, J. A. Hunter (entre seus recordes está a morte de 1000 rinocerontes africanos). Hunter seguiu o rastro do elefante por dois dias, até encontrá-lo comendo bambus próximo da floresta de Aberdare. Assim que o elefante percebeu a presença do caçador ele tentou atacá-lo, mas Hunter foi mais rápido e acertou um tiro na cabeça do animal e, depois de sua queda, outro tiro em sua nuca.
Uma autópsia foi realizada no corpo do elefante e uma bala de mosquete foi encontrada alojada no nervo que ligava os dentes de marfim do animal a sua face. Hunter teorizou que estava bala deveria estar causando um dor intensa e provavelmente esta era a causa de seu comportamento agressivo.
No final de sua vida Hunter se dedicou a preservação dos animais selvagens na África.
Os ataques de tubarão de Nova Jersey
Os ataques de tubarão de Nova Jersey geraram o primeiro caso documentado de mortes em série causadas por tubarões e eles inspiraram o escritor Peter Benchley a escrever o livro Tubarão, que anos depois foi adaptado para o cinema por Steven Spielberg, tornando-se um clássico.
Entre 1 e 12 de julho de 1916 um tubarão devorador de homens aterrorizou a costa de Nova Jersey atacando 5 pessoas, matando 4 delas. Os ataques ocorreram durante uma incomum onda de calor na região que fazia com que muitas pessoas fossem as praias, porém o pânico generalizado afastou todos das praias causando prejuízos de 250 mil dólares à cidade (em 1916 isso era muito dinheiro). Os tubarões se tornaram parte da cultura popular americana, sendo freqüentemente associados a perigo e morte em quadrinhos e jornais americanos.
Mais de 100 pessoas tentaram capturar e matar este tubarão usando dinamites, redes e armas pesadas, porém todos falharam, até que um grande tubarão branco foi morto pelo domador de leões (que apropriado) Michael Schleisser no dia 14 de julho. Este tubarão pesava 150 quilos e media 2.30 metros. Como nenhuma outra morte foi registrada após esta data as autoridades acreditaram que este tubarão era o causador das mortes.
O ataque do urso marrom de Sankebetsu
Em novembro de 1915 um urso marrom foi avistado rondando a propriedade da família Ikeda, no vilarejo Sankebetsu, no Japão, mas apesar de ter assustado os membros daquela família ele acabou fugindo quando percebeu a presença das pessoas. Naquela época o vilarejo de Sankebetsu havia acabado de ser fundado e a sua proximidade com as florestas e montanhas fazia com que a presença de animais selvagens fosse algo comum.
Poucos dias depois o urso reapareceu na região e o patriarca da família Ikeda, seu filho e um vizinho, temendo a segurança de todos, decidiram matar o urso. Eles atiraram contra o animal, mas apesar de ferido ele acabou fugindo para a floresta. O plano inicial dos homens era ir atrás dele, mas uma nevasca se aproximava e eles acabaram desistindo quando chegaram à conclusão de que o urso provavelmente não voltaria mais com medo dos seres humanos. Porém, pouco mais de uma semana depois o urso reapareceu no vilarejo, desta vez na propriedade da família Ota, entrou na casa sorrateiramente e acabou matando a mulher do fazendeiro, Abe Mayu, e o bebê de um vizinho, Hasumi Mikio, que estava sendo cuidado por ela. Pelo estado do local, aparentemente Abe tentou lutar com o urso jogando lenha nele, mas não foi páreo para o animal de 350 quilos. Depois de morta, Mayu teve seu corpo levado pelo animal para a floresta. Segundo a descrição de testemunhas na época, a casa da família Ota onde o ataque ocorreu se parecia com um abatedouro, com sangue espalhado por todo o lugar.
Na manhã seguinte um grupo formado por 30 homens do vilarejo entrou na floresta para caçar o animal e resgatar o corpo de Mayu. Menos de 150 metros depois de terem entrado na floresta eles encontraram o animal. Cinco homens atiraram contra ele, mas apenas um tiro o acertou e mais uma vez ele conseguiu escapar com um ferimento. Os homens fizeram uma busca no local e acabaram encontrando os restos de Mayu parcialmente enterrados na neve. Apenas sua cabeça e os membros foram recuperados, o restante do corpo aparentemente havia sido devorado pelo urso.
Os caçadores decidiram interromper a busca e levar os restos mortais de Mayu para que a família Ota pudesse realizar seu funeral e a caçada continuar no dia seguinte. Entretanto, ao contrário de todas as expectativas, naquela mesma noite o urso foi visto rondando a propriedade da família Ota enquanto o funeral estava sendo feito. Em completo estado de choque pela audácia do animal em aparecer mais uma vez, algumas pessoas presentes foram correndo avisar o resto do vilarejo que o animal tinha voltado. Desta vez 50 pessoas saíram atrás do urso, porém ao chegar ao local ele não estava mais lá.
Eles decidiram não esperar até o dia seguinte, os moradores queriam matá-lo naquela mesma noite. Os homens tentaram seguir o rastro do animal, que aparentemente levava em direção a floresta, porém eles estavam errados. Na verdade o urso havia se dirigido para outra parte do vilarejo, próxima a casa da família Miyoke. O senhor Miyoke, dono da casa, não estava no momento, pois ele era um dos homens que havia saído em busca do urso na floresta, mas a sua família ainda estava lá. Ao sentir o cheiro da comida que vinha da cozinha, o urso quebrou uma das janelas da casa e acabou entrando. Quando ouviu aquele barulho, Yayo, esposa do senhor Miyoke, foi até a cozinha investigar aquele barulho e ao chegar lá se assustou com o urso e deixou cair a lamparina que estava carregando. No meio da escuridão ela tentou fugir de casa e quase conseguiu, porém um de seus filhos, Yujiro, entrou em pânico e se agarrou nas pernas da mãe enquanto ela corria, derrubando-a. O urso acabou alcançando a todos e atacou Yayo e seu bebê de colo Umekichi. Yujiro conseguiu fugir (que moleque desgraçado! Derrubou a mãe e conseguiu fugir).
Ao ouvir os gritos que vinham da casa, Odo, um dos homens que continuava no vilarejo saiu correndo em direção a casa. Assim que entrou, Odo tentou chamar a atenção do urso e acabou conseguindo; o animal soltou Yayo e seu filho e começou a persegui-lo. O urso deu patadas e mordeu Odo algumas vezes, mas ele conseguiu se refugiar atrás de alguns móveis da casa onde o urso não podia alcançá-lo. Enquanto Yayo e seu bebê fugiam e Odo estando inacessível, o foco do urso se voltou para o terceiro filho da família Miyoke, Kinzo, que ainda estava na casa e acabou sendo morto.
Os ataques e gritos vindos daquela casa acabaram chamando atenção de outras pessoas no vilarejo que acabaram se aproximando para descobrir o que estava acontecendo. Entre estas pessoas estavam os filhos da família Saito, Haruyoshi e o pequeno Iwao que foram mortos pelo urso ainda na frente da casa. Ao ver os dois filhos sendo mortos, Take, mulher do senhor Saito – grávida de 8 meses – tentou ajudá-los mas nada pôde fazer. Ela também foi atacada pelo animal, morta e parcialmente devorada. Enquanto este massacre estava acontecendo na vila, os homens que estavam na floresta perceberam que estavam seguindo a trilha errada e decidiram voltar. Enquanto retornavam eles encontraram Yayo e seu bebê que, apesar de estar bastante ferida, continua fugindo. Ela relatou o que havia acontecido e os homens se apressaram a voltar para lá e tentar salvar aquelas pessoas. Ao chegar lá eles encontraram o corpo de Take caído em frente da casa com sua barriga destroçada e com o feto em pedaços morto ao lado.
Não havia qualquer sinal do urso e o vilarejo estava escuro e em completo silêncio. Os homens acreditavam que ele ainda estava dentro da casa e decidiram colocar fogo nela, mas a senhora Yayo proibiu, pois ainda tinha esperanças de que seus filhos ainda estivessem vivos lá dentro. Os homens decidiram então se dividir em dois grupos. O primeiro entrou na casa pelos fundos, através da mesma janela que o urso quebrou e o restante ficou aguardando o animal na porta da frente. Quando confirmaram que urso ainda estava lá dentro e tentaram atingi-lo o animal tentou fugir pela porta da frente, porém os homens dos dois grupos ficaram com medo de dar qualquer disparo e acabar matando alguém do outro grupo acidentalmente num fogo cruzado. Mais uma vez o animal escapou para a floresta (cacete, que bando de patetas).
Alheio a tudo que havia acontecido com seus filhos e sua mulher grávida, Ishigoro Saito havia sido escolhido para ir à cidade mais próxima avisar a polícia dos primeiros ataques do urso. Ele só ficou sabendo da tragédia quando retornou no dia seguinte.
Porém a polícia não apareceu imediatamente. Os homens ficaram patrulhando e montando guarda durante três dias até que as autoridades chegassem. Durante estes três dias de espera o urso chegou a aparecer mais uma vez próximo a entrada do vilarejo, mas retornou a floresta antes de se aproximar mais.
Quando a polícia finalmente chegou, ela trouxe consigo o famoso caçador de ursos Yamamoto Heikichi. Depois de ouvir relatos dos moradores Yamamoto acreditou que o urso em questão era “Kesagake”, um animal que ele havia tentando caçar anos antes num vilarejo próximo a Sankebetsu. Este urso havia invadido as casas de oito famílias, comido suas provisões, algumas galinhas e, curiosamente, tinha um interesse incomum pelos travesseiros e roupas de cama das casas, pois vários foram destruídos. Felizmente em todas aquelas invasões ninguém havia sido ferido e Yamamoto acabou desistindo de procurar a trilha do animal depois de alguns dias. Mas desta vez, ele teria que matá-lo a qualquer custo.
No dia seguinte a sua chegada no vilarejo, Yamamoto subiu as montanhas com a polícia e logo encontrou manchas de sangue seco espalhados pela neve. Havia uma forte nevasca naquele dia, mas eles não queriam interromper a caçada, caso contrário a neve poderia encobrir o rastro de sangue do urso. E a sua persistência valeu à pena: antes do final daquele dia o urso foi encontrado dormindo sob uma árvore, e Yamamoto o matou com dois tiros – um no coração e outro na cabeça. Depois de morto ele foi medido e seus dados foram extraídos: ele tinha exatamente 380 kg, 2.7 metros de altura e durante a sua necropsia, várias partes de suas vítimas foram encontradas no seu estômago.
Este foi o destino de algumas pessoas envolvidas no massacre: Yayo Miyoke se recuperou de seus ferimentos completamente, mas seu filho Umekichi que ela estava carregando no colo e que também foi mordido, acabou morrendo 3 anos depois devido aos ferimentos que nunca foram curados completamente; Odo, o primeiro homem a entrar na casa da família Miyoke para ajudar as vítimas, também se recuperou do ataque e logo voltou a trabalhar, mas poucos meses depois ele caiu num rio enquanto trabalhava e morreu. Não se sabe os ferimentos que sofreu do urso tiveram alguma relação com este acidente; Okawa Haruyoshi, filho do prefeito do vilarejo, e que tinha 7 anos quando o incidente ocorreu, jurou se tornar um caçador de ursos para vingar as vítimas daquela tragédia; quando ele se aposentou aos 62 anos de idade, ele já havia matado 102 ursos e construiu um santuário para lembrar as vítimas de Kesagake.
Nos meses posteriores a tragédia a maioria dos moradores deixou o vilarejo e ele acabou se tornando uma cidade fantasma.
Os devoradores de homens de Tsavo
Em 1898 os britânicos estavam construindo a estrada de ferro Quênia-Uganda, no leste da África e a principal mão de obra para este empreendimento foi contratada na região: milhares de trabalhadores locais, principalmente das tribos Sikh.
Quando a construção da estrada de ferro chegou às margens do Rio Tsavo no Quênia, os trabalhadores Sikh começaram a ser atacados constantemente por dois leões. Não havia qualquer padrão de comportamento que justificasse estes ataques, pois os leões raramente se alimentavam da carne humana e não existia qualquer bando nas proximidades que eles talvez estivessem defendendo. Os ataques aconteciam de dia e principalmente durante a noite – os leões invadiam os acampamentos e vários trabalhadores foram arrastados de suas tendas e mortos enquanto dormiam.
Durante 9 meses de constantes ataques, os trabalhadores e empresários britânicos tentaram de tudo para interromper este massacre enviando caçadores profissionais atrás dos leões (alguns desistiram da tarefa e outros acabaram devorados), construindo armadilhas e até uma gigantesca cerca de espinhos, mas nada disso os deteve. Os leões provavelmente pensaram: “Hmm, espinhos gigantes?! Bela idéia, vocês só esquecerem-se de pensar que eu cresci numa maldita savana e aqui isso é mais comum que areia”.
Os leões só foram mortos depois que a Inglaterra enviou o famoso caçador John Henry Patterson para resolver o problema. Mesmo assim a tarefa não foi fácil; as mortes foram dignas dos monstros de filmes B. Segundo Patterson, sua caçada durou um dia inteiro e foram necessárias 5 balas calibre 0.303 para matar o primeiro leão e 8 balas (inclusive uma na cabeça) para matar o segundo.
Reforçando: foram 13 balas para matar os dois leões! Eu imagino que Patterson era um péssimo atirador ou os leões realmente tinham o demônio no corpo.
Gustave, o Crocodilo
Gustave é um gigantesco crocodilo com mais de 6 metros de comprimento e quase 1 tonelada que vive no rio Ruzizi em Burundi. Estima-se que ele tenha aproximadamente 66 anos, um dos crocodilos mais velhos da região, já que a maioria dos crocodilos de sua geração acabaram sendo mortos por caçadores e sua pele foi vendida para fazer bolsas.
Não que os caçadores não tivessem tentado matá-lo. Eles tentaram, mas Gustave sempre se apresentou mais resistente (ele possui algumas marcas de tiro em sua face) e mais esperto que a maioria dos outros animais (caçadores relataram que ele parecia saber onde estavam instaladas as armadilhas e intencionalmente desviava delas) e nunca foi morto ou capturado. Com o passar dos anos sua sobrevivência foi garantida quando organizações de proteção aos animais começaram a fazer campanha para o fim da caça de crocodilos.
Mas o sentimento de Gustave nunca foi recíproco. Durante toda sua vida mais de 300 mortes foram atribuídas a ele nos rios da região. Apesar de este número ser exagerado, ao menos 40 mortes foram confirmadas – o que ainda é muito. Um fator assustador sobre Gustave é a maneira como ele matou várias de suas vítimas que tiveram a morte confirmada. Testemunhas oculares afirmam que ele não costuma matar suas vítimas imediatamente; Gustave geralmente as arrasta para o fundo do rio para que morram afogadas.
Depois que ganhou a fama de assassino em 1998 através de um documentário da National Geographic e região onde vive se tornou bastante conhecida nenhuma outra morte foi registrada desde então, mas ele continua vivo. Ele foi visto pela última vez em Janeiro de 2010.
Fonte: Hryundik


















22 de julho de 2012 01:27
Cara que post fascinante, parabéns.
22 de julho de 2012 07:15
A do urso marrom de Sankebetsu dava pra faze um filme.Nem curto le esses texto gigante ,mas aquele
fico muito loco.
22 de julho de 2012 13:11
A do urso foi feito um filme brother, o nome do filme é "Yellow Fangs", Japão, 1990.
22 de julho de 2012 13:40
Bela dica esta do filme Yellow Fangs. Eu não sabia... Se alguém conseguir um link para baixar este filme, favor postar aqui...
24 de julho de 2012 23:50
Puts tinha que ser japoneses mesmo, no artigo do urso... puts, não conseguiram matar a droga do urso trocentas vezes, é de acabar. E sobre o Gustav o crocodilo, só uma BAZUCA pra deter o monstro!
2 de setembro de 2012 10:05
Essa historia do crocodilo é muito conveniente se voce tem uma mafia. Mata quem quiser e coloca a culpa no crocodilo.
26 de janeiro de 2013 03:41
o cocrodilo foi capturado recentemente
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/02/100202_crocodilobrundi_ba.shtml
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